quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Como determinar se uma lei é justa?

Existem três categorias de elementos constitutivos da realidade, os naturais, os criados pelo ser humano e os mistos.
Os naturais são aqueles que surgem de forma espontânea: os elementos químicos, as três cores gráficas básicas, os pares básicos do DNA, são exemplos de tijolos criados pela natureza para construírem coisas maiores e mais complexas, sendo que estes não podem ser mudados dentro do universo em que vivemos.
Existem também os elementos artificiais, que são aqueles criados pelo ser humano. As letras do alfabeto e as palavras de uma determinada língua são exemplos de convenções humanas que se apoderam de segmentos para criarem realidades mais complexas.
Assim, é errado dizermos que o DNA é escrito pelo “alfabeto da natureza”, uma vez que o código genético vale para qualquer tempo e qualquer lugar e um alfabeto corresponde apenas a uma determinada cultura.
Alguns elementos constitutivos são apenas aparentemente naturais, como acontece com o sistema decimal. Apenas temos a impressão de que cálculos devem ser feitos com a base de dez pelo simples fato de que desenvolvemos tal forma de pensamento devido ao fato de possuirmos dez dedos nas mãos, mas outras culturas desenvolveram, por exemplos, sistemas binários, octais, etc. Os elementos naturais (fato de possuirmos dez dedos) muitas vezes nos levam à falsa ideia de “naturalidade” dos sistemas (sistema decimal), mas devemos sempre ter em mente essas divergências.
Como terceiro grupo, existem os elementos mistos. Um bom exemplo são as notas musicais, que são inventadas pelo ser humano e culturas diferentes criam sistemas diversos, músicas diferentes baseadas em sistemas diversos. No entanto, dentro de um determinado sistema, a sequência de notas deve ser respeitada, sob o risco de gerar desarmonias que todos percebem.
Por elementos mistos, portanto, chamamos aqueles elementos constitutivos da realidade que não podem ser classificados nem como provenientes da natureza do cosmos e nem como frutos da criação humana, mas estão em um patamar intermediário.
Nessa categoria classificam-se os Princípios Fundamentais, tão caros às ciências jurídicas. Não os podemos enquadrar como fato natural e nem como artificialismo, ou seja, como meras criações humanas, mas devemos considerar que, dentro de um determinado sistema cultural, eles são válidos e harmônicos, assim como notas musicais em uma sinfonia.
Onde se quer chegar com isso?
As atuais revoluções nas comunicações, nos transportes e nos costumes estão gerando conflitos entre as culturas. Por um lado, temos uma universalização cultural, que puxa para uma universalização legislativa, e por outro, uma especificação regional que horroriza aos demais: deve-se retirar os clitóris das meninas, ou apedrejar mulheres adúlteras? Ou, mais perto de nosso país, deve-se permitir que indígenas enterrem vivos os bebês nascidos gêmeos? Ou, mais perto ainda de nós, deve-se permitir que o STF escolha qualquer outro direito fundamental em detrimento da liberdade de expressão, que sempre sai perdendo na jurisprudência de nosso país?
Por que aceitamos como naturais a pena de morte em alguns estados americanos ou que os chineses cobrem a bala das famílias dos que são fuzilados? Será que é apenas por algum tipo de fraqueza, ante a possibilidade de interferirmos em potências mundiais? Seria o direito apenas uma manifestação do poder, nada mais do que isso?
Como decidir qual é o valor que deve ser preservado? Existe um método?
Existem, pelo menos, três fundamentos jurídicos: os princípios fundamentais, como a liberdade, a vida, etc.; os bens jurídicos protegidos, como a infância, a saúde, etc.; e as normas programáticas, como integração internacional, erradicação da pobreza, etc.
Qual é o direito superior? Poderíamos argumentar que os princípios sejam “átomos” e os outros dois sejam “moléculas” da realidade jurídica. Ora, mas aço é melhor do que ferro em estado puro, portanto, não podemos admitir que os princípios se sobreponham à combinação deles, dependendo da situação, os bens jurídicos e os programas sociais têm maior valor, pois afirmar o contrário seria o mesmo que dizer que as músicas deveriam ser feitas apenas com notas, desprezando os acordes.
Considerando, portanto, que os princípios atômicos jurídicos formem “moléculas jurídicas”, o que reconhecemos como válido no direito?
Em primeiro lugar, todo o direito válido faz parte de um sistema, ele não pode ser uma regra solta no vácuo. É por este motivo que não reconhecemos os direitos provenientes de sistemas culturais. Um índio amazônico que pratica estupros e depois se refugia na sua taba, não pode alegar que está apenas exercitando uma prática cultural, assim como um religioso não pode negar uma transfusão de sangue ao filho. São apenas práticas consuetudinárias, não representam direitos pelo fato de não terem sido organizadas em sistemas jurídicos.
O segundo aspecto, quando existe uma construção sistemática, como por exemplo nas ditaduras teocráticas, devemos nos perguntar por que não reconhecemos, o apedrejamento de adúlteras como direito legítimo, mas apenas como uma prática bárbara.
Não basta ao direito apenas o aspecto sistemático, mas é preciso também uma construção lógica. O arbítrio não faz parte das regras do jogo, pois o “acorde” sairá destoante se usarmos notas em um instrumento desafinado. Assim, quando uma sociedade obriga a todos os homens usarem barba, não se consegue ver uma lógica, senão a da imposição religiosa, facilmente contestada por qualquer um que pense diferente.
Existe ainda um terceiro fator que faz com que não reconheçamos direitos, que é quando existe um sistema e existe também uma construção lógica, mas mesmo assim não ocorre o justo. O melhor exemplo é o nazismo que possuía um direito com tais características.
Acontece que além de ser sistemático e lógico, o direito é sempre um sistema que tem coerência consigo mesmo, isto é, é preciso que respeite os fundamentos sistêmicos, que são históricos, acordados internacionalmente e baseados nas “notas e acordes” jurídicos, que são os princípios fundamentais, os bens juridicamente protegidos e as normas programáticas. Um sistema jurídico que crie uma ruptura com tudo o que foi estabelecido pela própria sociedade e pelas sociedades do seu entorno simplesmente não é reconhecido.
Assim, o justo deve possuir três características: é sistêmico, como sinônimo de organização formal, é lógico, como antônimo de arbitrário e é lógico-sistêmico, significando que deve seguir a construção que lhe é própria, não admitindo rupturas impostas por um grupo minoritário.
É por isso que admitimos o direito chinês, apesar de exótico para nós ocidentais, e não reconhecemos direitos iranianos. Os chineses apenas têm um sistema diferente, mas têm todas as características que reconhecemos como justo, permitindo que o aceitemos como coerente.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Barqueiros e Navegadores

Barcos vão e barcos vêm.
Alguns, balsas, que vão daqui até ali, nunca saindo das duas margens em que se propuseram estar.
Existem barqueiros que descem e sobem o rio. Conhecem os atracadouros, suas cargas, suas pessoas e estão satisfeitos consigo mesmos porque fazem algo importante e útil. E estão certos no seu trabalho, ninguém duvida da sua competência e necessidade.
No entanto, existem aqueles que vão mais longe, além da desembocadura e aventuram-se para o mar bravio. Passam a rebentação das ondas e descobrem as maravilhas da costa. São aqueles que vislumbram as areias finas, os coqueiros e tartarugas que ali se encontram.
E o que sobra para os navegadores solitários que vão além?
Vão para onde? Para o outro lado do mar? Que lado, se existem muitas praias e atracadouros? Qual é o rumo que a bússola e as estrelas traçarão?
Enfrentarão tempestades e ondas gigantescas.
E o tédio e a monotonia dos fracos ventos.
E os azares da sorte, azares de toda sorte.
No entanto ao chegarem – se chegarem – terão ido além, muito além, daquele balseiro que só vislumbrava a margem seguinte do rio.
Assim, nas rotas que o destino traça e que nós só, arrogantemente, pensamos que traçamos, ao perguntares, amigo, por que não vês a outra margem, o destino que a vida nos apronta, o motivo é só um: porque ela está muito distante, do outro lado do mar.
E a essa margem, invisível, desconhecida e incerta, só aqueles com coragem, persistência e que veem com os olhos da alma é que conseguem alcançar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Da Igualdade e do Futuro

Como garantir iguais oportunidades e os direitos conquistados às gerações futuras?
Para respondermos essas questões devemos nos perguntar qual é a razão das desigualdades entre os homens. Por este termo, nos referimos especificamente às desigualdades econômicas, que são de dois tipos, qualitativas e quantitativas.
Como sabemos, um cirurgião neurológico normalmente recebe muito mais pelos seus serviços do que um professor de história, mesmo que ambos tenham passado o mesmo tempo nos bancos escolares.
Por que isso ocorre? Porque existe uma diferença econômica qualitativa: quando tivermos um tumor no cérebro teremos necessariamente que procurar um médico, mas podemos viver perfeitamente com uma dúvida em história. A necessidade imediata cria escassez de profissionais e gera diferenças salariais gritantes.
Por outro lado, dois médicos com a mesma formação, recebem também valores diferentes pelos seus serviços, pois ocorrem diferenças quantitativas, incluídos neste item não só a capacidade profissional individual, como também a capacidade de marketing, de empreendedorismo, de carisma e relacionamentos pessoais e até mesmo de sorte, que é um fator importante na vida.
A primeira resposta, portanto, é que iguais oportunidades não geram iguais resultados e isso não pode ser diferente, pois se recompensarmos as pessoas igualmente pelo resultado, isto é, equalizar o salário de todos em um único patamar, através de determinação estatal ou impostos muito desiguais, faltarão cirurgiões neurológicos e engenheiros aeroespaciais e sobrarão fotógrafos de mulheres nuas e degustadores de chocolate, pois o incentivo econômico é um dos principais fatores que determina a vocação.
Assim, podemos afirmar com certeza que o futuro não só não será igualitário, como gerarmos iguais oportunidades não nos aproximará dessa utopia absurda.
A segunda questão é como garantirmos os direitos conquistados às gerações futuras.
Ora, a queda do Muro de Berlim provou que é impossível planejar o direito e a economia no espaço, como poderíamos ousar planejá-los no tempo? A ideia de gerar uma colônia de formigas humanas não deu certo e nem dará, já que, desculpe ao leitor o lugar-comum de filosofia oriental barata, mas a única coisa permanente na vida é a mudança. As intrínsecas diferenças entre os homens, totalmente insanáveis, e a total imprevisibilidade do futuro nos garantem apenas uma afirmação: a de que nada é garantido.
Napoleão tentou criar um código civil dos franceses, com a pretensão de ser universal em vontades e valores, ficando totalmente ultrapassado poucos anos depois, já que a humanidade evolui. Todas as tentativas históricas neste sentido fracassaram de forma humilhante.
Mas, supondo que nós realmente tenhamos conquistado definitivamente valores e princípios universais, supondo que esses valores e princípios existam e sejam realmente universais, o que já é um ponto de partida completamente absurdo, mas vá lá, como os garantir às gerações futuras?
A resposta é: não podemos. Já que o ser humano, desigual por natureza, pensa, evolui, reconsidera, estuda, cresce...
E isso é bom.
E isso não deve ser mudado.
E, felizmente, não se pode.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Das Pessoas Que Eu Gosto

As pessoas que eu gosto possuem três características.
As pessoas que eu não vou muito com a cara não possuem uma ou mais dessas características.
As pessoas que eu gosto, gostam de comer bem.
E o que tem de tão especial nas pessoas que gostam de comer bem?
É porque o prazer não é algo estanque. Pessoas que gostam de comer bem, bem sabem também apreciar a beleza da vida, conseguem perceber a transcendência de uma obra de arte, o êxtase de um pôr-do-sol e a epifania de uma relação amorosa. E como o prazer não é algo estanque, têm também consciência da finitude desta efêmera vida e que se algo não fizerem do algo de tempo que lhes resta, passarão pela existência como se nunca tivessem existido.
Pessoas que gostam de comer bem, importam-se se tiverem que passar pela vida como se nunca tivessem existido, incomodam-se com a mediocridade.
Pessoas que gostam de comer bem é que trazem significância para o restante de seus pares, pares para os quais não têm muita importância as garfadas de pouco gosto.
As pessoas que eu gosto, têm caráter.
Não falo das pessoas que não furtam e nem atentam contra a vida de seus desafetos, não é desse caráter graúdo, ponto passivo, a que me refiro, sobre o qual nem seria preciso mencionar, mas o caráter minúsculo, cotidiano.
É não dizer uma coisa que não possa cumprir, apenas para levar uma vantagem momentânea. É não fazer coisas sobre as quais precise mentir. É interferir contra as injustiças, não aquelas injustiças que tenham sido praticadas contra si próprio, mas fundamentalmente defender o outro até o limite de suas possibilidades e forças simplesmente porque vê ali um rasgo de razão, é não se omitir, não se evadir, falar o que pensa, mesmo sabendo que algumas vezes vai fazer inimizades.
Por fim, as pessoas que eu gosto, não confundem caráter com moral.
As pessoas que eu gosto, são amorais.
Muitas vezes a moralidade é vista como algo positivo, mas dentro do meu ponto de vista, não passa de um desejo doentio de pertencer a um grupo. O moralista é aquele que pensa com a cabeça do outro, ou, pior, pensa com o dedo indicador do outro, que pensa que o aponta inquisitorialmente.
O moralista é aquele que pensa como pensa que o outro deve pensar do que ele próprio deveria pensar.
Ele pensa como o padre, como o papai e a mamãe, como o chefe, como o partido político, como o time de futebol, como o vizinho de muro deveriam pensar daquilo que ele deveria pensar.
São aquelas pessoas para as quais os do seu grupo são infinitamente, imaculadamente, bons e os adversários são impuros e passivos de eliminação.
São aquelas pessoas que pensam que a sua moral é o seu caráter, ou mais ainda, o caráter único existente. Incontestável.
Só as pessoas amorais são livres porque se comunicam diretamente consigo mesmas, sem intermediários, portanto não são capazes de mentir para si próprias e consequentemente não têm a capacidade de mentir para o próximo.
E quem não mente, quem tem caráter e quem come bem é uma pessoa íntegra.
E essas são as pessoas que eu gosto. As demais, não vou muito com a cara.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Gerador de Densidade Variável

Criei um gerador elétrico. Veja e tire suas próprias conclusões:

video

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Por uma anti-jurisprudência.

O conflito entre a liberdade de expressão e os demais direitos fundamentais é uma questão discutida mundialmente. São lugares-comuns casos jurídicos como o de Larry Flynt, editor americano de revistas pornográficas; a decisão de 1969 que permitia queimar a bandeira americana como forma de expressão e, mais recentemente, a questão das charges de Maomé, por um jornal dinamarquês.
No Brasil, também temos um grande número de decisões polêmicas sobre liberdade de expressão, muitas das quais foram decididas pelo Supremo Tribunal Federal, recordando:
- O caso Ellwanger (1996, 1ª Condenação) – Siegfried Ellwanger publicava metodicamente livros anti-semitas. No final, o STF votou pela condenação do réu;
- Chute na Santa (1995) – o pastor evangélico Sérgio Von Helder proferiu insultos e chutou uma santa católica na TV. Foi condenado pelo juiz da 12º Vara Criminal de São Paulo, Ruy Alberto Leme Cavalheiro, a dois anos e dois meses de prisão por crimes de discriminação religiosa e vilipêndio à imagem;
- O caso Planet Hemp (1997) – a banda carioca fazia músicas sobre a maconha. Seus componentes foram criminalizados por apologia às drogas;
- Condenação do Blog Imprensa Marrom (2004) – O blog foi retirado do ar por decisão judicial, causada por comentários impróprios dos seus usuários;
- Piloto Mostrou o Dedo (2004) – O piloto americano Dale Robbin fez um gesto obsceno para um policial brasileiro ao ser fotografado na alfândega. A companhia pagou multa de R$ 36.000,00 e o piloto foi liberado;
- Bibliografia não-autorizada de Roberto Carlos (2006) – o fã Paulo César de Araujo decidiu escrever uma bibliografia do Cantor Roberto Carlos, que ingressou judicialmente para bloquear sua publicação. A venda foi proibida e um acordo com a editora foi firmado;
- Caso Cicarelli (2006) – a modelo Daniella Cicarelli Lemos foi filmada em cena de sexo em uma praia da Espanha. A decisão foi no sentido da retirada do conteúdo do vídeo de sites da Internet, como YouTube e similares.
Qual é a diferença dos casos brasileiros em face aos estrangeiros? É que por aqui uma ação judicial que verse sobre liberdade de expressão será necessariamente derrotada nos tribunais, ou pela estrutura legal, de forma metódica, constante, em cem por cento dos casos, o que não acontece em outros países. Não seria insano afirmar que, para evitar decisões continuadas, gasto de tempo, dinheiro e esforço, o STF deveria publicar uma Súmula Vinculante com a redação “Em casos de conflitos de princípios que envolvam liberdade de expressão, este fundamento deve ser considerado em um nível hierárquico inferior a todos os demais.”
Acontece que os princípios constitucionais não possuem hierarquia. Portanto, no momento em que o nosso sistema legal coloca a liberdade de expressão como inferior, está indo contra a Lei Suprema do país. Deixa de ocorrer a equidade aristotélica, tão cara ao se fazer justiça no decorrer nos últimos dois milênios e meio.
Ora, os tribunais seguem a jurisprudência. No entanto, o que acontece quando, não uma decisão de um caso particular, mas todo o conjunto de pensamento das melhores mentes decisórias do país, ferem um fundamento?
A resposta é simples, é preciso criar uma anti-jurisprudência, pois nem a letra da constituição, e nem as decisões anteriores, nos servem mais.
As decisões judiciais servem para livrar o juiz do engessamento da lei, a anti-jurisprudência, deveria servir para livrar o juiz das decisões pouco equânimes dos demais.
O que tem acontecido é que, em outras palavras, como diria o humorista Millôr Fernandes, por aqui “Livre-pensar, é só pensar!”
De que trata a liberdade de expressão? Publicar fotos de paisagens e receitas de bolos ou se refere a temas mais contundentes? Será que remete ao nosso direito de falar ou ao nosso dever de escutar aquilo que discordamos? Sem defendermos a liberdade do outro, não poderemos defender a liberdade própria, essa é a questão.
Enquanto isso não ocorrer, no Brasil não poderemos acompanhar Voltaire que dizia “Não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de o dizeres”, pois liberdade de expressão não tem funcionado por aqui.
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PS. A decisão do STF em permitir que humoristas zombem dos políticos, editada logo após a publicação desta postagem, talvez nos aponte uma mudança de ventos na liberdade de expressão. Veremos o que vem por aí.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Leite

O governo não gera dinheiro, apenas repassa aquilo que arrecada.
Digamos que o governo passe a conceder bolsa-leite para os pobres.
Para arrecadar esse dinheiro, ele cobraria impostos sobre o leite.
Cobrando impostos, o preço do leite sobe.
Todos pagam mais pelo produto, inclusive os pobres.
No meio do caminho entre a arrecadação e o repasse, existem perdas.
Essas perdas são decorrentes (a) dos custos burocráticos e (b) da corrupção.
Ora, direis, mas as alíquotas do leite são reduzidas, não são cobrados impostos severos.
Sim, respondo-vos, mas cobrar-se-ão, demasiada e extorsivamente, impostos do caminhão do leite, do combustível do caminhão do leite, da loja que vende o leite, do salário do empregado, da fazenda, da vaca... Em última instância, o preço sobe, portanto cobram-se impostos sobre o leite, apesar de não aparentar.
Em resumo, o que o governo faz?
Ele tira dinheiro do leite dos pobres, roubando um pouco, ou muito, no meio do caminho, e depois devolve esse dinheiro aos pobres na forma de leite.
E assim, sobre aquilo que os pobres ganhariam, acabam por pagar a mais no preço do tão necessário leite, levando prejuízo.
E assim, os pobres, iludidos por essa mirabolante matemática, votam nos candidatos do governo.
E assim, os nossos inteligentes intelectuais, interessados em também mamar, saem por aí dizendo que nunca antes na história desse país, tantos pobres tomaram tanto leite.

domingo, 16 de maio de 2010

POR QUE O SEU PRETENDENTE NÃO SE COÇA PRÁ CASAR?

Os bebês do sexo masculino nascem em uma proporção levemente maior do que os do sexo feminino, mas quando chegam à idade madura, existem mais mulheres do que homens, já que estes, além de possuírem um organismo mais frágil, se envolvem mais em brigas e acidentes de toda espécie.
Essa questão se acentua à medida que os anos passam, quanto mais velhos, maior é essa diferença, chegando ao ponto de as mulheres viverem em média de cinco a sete anos a mais que os seus parceiros.
Pois bem, isso quer dizer que, matematicamente falando, a nossa sociedade condena um certo número de mulheres ao celibato, já que não existem maridos para todas. Algumas poucas irão casar-se para sempre, muitas apenas por algum tempo, e outras envelhecerão, com os filhos que tiveram de diversos relacionamentos vivendo em outras cidades, em um apartamento cheirando à naftalina e repleto de gatos. A triste realidade é essa.
Nas tragédias de Shakespeare, a paixão era tratada como algo de adolescentes: Romeu e Julieta, Hamlet e Ofélia, etc. Naquele sábio autor, o único personagem maduro que se apaixona, é Otelo, a representação de um louco.
Como, via de regra, a maioria das pessoas não se casa jovem demais, devemos considerar que hoje em dia o ato de contrair matrimônio é uma atitude racional, não um mero arrebatamento da juventude.
Por isso, mulheres sonhadoras, aqui vão algumas perguntas para vocês pensarem. Por que o seu pretendente haveria de casar com você, existindo uma boa quantidade de mulheres disponíveis e uma liberalização de costumes que permite que ele troque de namorada sempre que se atrair por outra? Se ele não for psicopata ou tiver algum retardo mental, ele avaliará alguns critérios mais comuns.
As pessoas sempre procuram pela pessoa certa, mas você deve se perguntar: “- Eu sou a pessoa certa?”. Para isso, responda as seguintes perguntas, algumas delas atraem, outras repelem os homens.

Perguntas cuja resposta positiva AUMENTAM as possibilidades de casar:
- Você é linda, maravilhosa, com um rosto lindo e suave, um corpo curvilíneo e firme? – Isso, por si só, poderá segurá-lo pelo tempo da juventude.
- Você é bem cuidada, com unhas e cabelos bonitos, pele lisa e viçosa, com roupas elegantes e adequadas às mais diversas situações?
- Você tem níveis sócio-econômico, cultural e de atratividade sexual igual, ou, preferencialmente, levemente superior ao do seu pretendente ou você está num patamar muito abaixo do dele?
- Ele gosta de conversar com você, isto é, vocês entram em um carro em Belo Horizonte e vão rindo e se divertindo até Santa Catarina, ou depois de poucos quilômetros iniciam as críticas e recriminações que os fazem ficar calados durante todo o trajeto? (Gosto por conversar, este é o melhor motivo para casar, só se encontra isso, com sorte, a cada 15 anos de vida...)
- Ele tem uma pequena propriedade rural e precisa de alguém para cozinhar enquanto ele dirige o trator?
- Ele tem filhos e precisa de uma babá para eles?
- Ele está falido e você é rica, de maneira que ele possa dar o “golpe do baú”?
- Você é bissexual e já tentou propor para ele um relacionamento a três? (essa aumenta em muito as possibilidades)
- Ele já está ficando velho e teme precisar de uma enfermeira 24 horas, no futuro?
- Ele é muito jovem e quer arrumar um pretexto para sair da casa dos pais?
- Ele já é casado e quer arrumar um pretexto para ter coragem de largar a esposa?
- Você ainda é virgem e falou para ele que só deixará de ser com o seu marido?
- Ele é religioso fanático ou pertence a algum grupo social que não tolera homens solteiros?
- Ele precisa casar-se para ascender profissionalmente?
- Ele é maníaco por algum hobby, esporte, crença ou trabalho que não lhe dê tempo para procurar outros relacionamentos?
- Ele é estrangeiro e precisa permanecer no país?

Perguntas cuja resposta positiva DIMINUEM as possibilidades de casar:
- Você fuma, bebe em excesso, é dependente de drogas ou medicamentos, tem surtos psicóticos, fala palavrões, é grosseira ou vulgar?
- Ele teria algum motivo para se envergonhar de você de alguma forma?
- Você é muito velha para ele?
- Você é uma alta executiva que fica tratando de negócios pelo celular a cada dez minutos?
- Você tem filhos e quer que ele os assuma, junto com todos os seus problemas econômicos, jurídicos e pessoais?
- Você herdará no futuro um negócio do qual você não gosta e nem entende bulhufas, e só precisa de um administrador?
- Ele conhece bem as pessoas com quem você já transou?

Estas são algumas das principais condições para que os homens se casem ou deixem de casar.
Você, mulher sonhadora, acha que é capaz de se enquadrar nas positivas e evitar as negativas ou será que ele está com você só por uns tempos, para usá-la como brinquedinho sexual enquanto não encontra outro melhor?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O Fogo de Prometeu

Ontem assisti um vídeo impressionante que pode ser visto NESTE LINK, em inglês, em que os cientistas ensinaram a um gorila que ele iria morrer um dia.
O bicho ficou depressivo. Nunca na minha vida tinha visto algo tão cruel com um animal, os pesquisadores tiraram o macacão do paraíso.
Mas, ora, diriam os protetores dos animais, esse era o elemento que faltava para tornar os bichos como sujeitos de direito, idéia que, aliás, está sendo cogitada na Alemanha, afinal, o que nos separa dos animais não é exatamente a consciência de que temos da morte?
Se considerarmos como seres inferiores os animais que pintam, têm linguagem, criam ferramentas, são solidários e também praticam crueldade por prazer, criam escravidão e, agora sabemos, até podem ter consciência da morte, qual argumento que poderíamos usar para não utilizarmos, por exemplo, pessoas com retardos mentais como cobaias de remédios e tratamentos? Os nazistas fizeram isso, por que abominamos essa atitude e aceitamos que ratos sejam aleijados para testarmos os efeitos das células-tronco? Será que é só uma questão de grau de inteligência? Ou será que simplesmente desprezamos o que é diverso a nós? Qual seria a qualidade que nos torna diferentes dos outros habitantes do planeta?
A resposta é que, nós não só temos consciência da morte, mas também do prazer, além de sentirmos prazer, nós sabemos que sentimos prazer. Eros e Thanatos. Além de sabermos que vamos morrer, sabemos também que cada grão de areia que cai da ampulheta representa todo um universo único e que podemos fazer escolhas que geram benefícios no tempo que nos resta e para aqueles que ficarão depois que nós nos formos. Nós criamos, por esse motivo, obras de arquitetura, obras artísticas, estruturas sociais e econômicas, estruturas de comunicação, viagens a outros planetas...
Os animais não fazem nada disso, não porque possuem um grau de inteligência inferior, mas lhes falta a qualidade de pensamento que é completamente diversa da nossa. Não, não é apenas uma questão de grau.
Nós temos a noção do tempo, da efemeridade, eles não. Isso nos aproxima dos deuses, o que nos autoriza a nos proclamarmos senhores da Terra e considerarmos um bicho estranho vindo de outro planeta, mas com tais características, que porventura aportasse por aqui como um igual a nós, mas não um gorila, que é 97% geneticamente idêntico ao ser humano.
Aos animais, devemos apenas piedade, aos humanos, uma quase divinação.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Voe Sobre Território

Alguns anos atrás, eu assisti um programa com Paulo Francis no qual ele falava que nos mapas do mundo deveria existir a inscrição F.O.T., “Fly Over Territory” ou “Voe Sobre Território”, já que a maioria dos lugares não vale a pena nem se passar perto.
Com o passar do tempo, depois de viajar um pouco, tanto em turismo convencional, quanto com uma mochila nas costas, tanto de navio pelo interior do Paraguai, quanto em aviões militares da FAB ou sentado em poltrona de classe executiva, depois de morar em vários lugares e dirigir por parte do Cone Sul e América do Norte, criei o meu próprio mapa “V.S.T.”, considerando lugares que conheci ou que gostaria de visitar.
No Brasil, para surpresa de muitos amigos, eu considero todo o litoral área VST. Certa vez, uma amiga argentina me falou: “eu não entendo vocês, brasileiros, pois no meu país, as pessoas vão para praia gastar, pois estão de férias, relaxadas e com dinheiro, portanto lá temos lojas finas e restaurantes caros. Por aqui se come peixe com areia na beira da praia e ninguém reclama...”. Deixei de ir à praia faz tempo: cachorros latindo e fazendo sujeira na areia, montes de vagabundos andando pelas ruas, barulho, música alta, engarrafamentos, esgotos ao céu aberto, comida de má qualidade e cara... não, isso não é prá mim. Exceção feita à Jurerê Internacional que é uma praia limpa e organizada, mas infelizmente tampouco é pro meu bolso. Diga-se de passagem, o restante de Florianópolis é um favelão: de pessoas com bom poder aquisitivo, mas nem por esse fato aquela estrutura sócio-geográfica deixa de ser uma enorme vila-miséria, desorganizada, suja e com altos índices de criminalidade.
Assim, se não quero me incomodar, se não quero ser assaltado, extorquido por policiais, arriscar a vida, ser maltratado, passar por um calor infernal ou um frio congelante, ver pessoas sujas e miseráveis, não ter liberdade de pensamento, quebrar o carro em buracos, pagar caro para dormir mal e comer mal, não ter nada para ver, salvo paisagens (não viajo para ver paisagens, viajo para ver a obra humana: prédios, parques, museus, lojas, infra-estrutura, estradas, e, sobretudo, comida), prefiro simplesmente evitar certos lugares.
Uma outra coisa que falo para a meninada sedenta para estudar e morar no exterior: que optem por países anglo-saxônicos, pois de outra forma, verão apenas paisagens (que lembrem-se, paisagens só trazem alguma coisa de significância para maluco-beleza ou para jornalista do Discovery Channel). Para conhecer uma forma de pensar ocidental diferente da nossa, que valoriza o ser sobre o dever ser, esses países citados são completamente diversos. Quem nunca aprendeu que temos que fazer pelo país muito mais do que o país faz pela gente, será sempre um parasita social e nesse particular, os países da Europa continental são muito parecidos com o Brasil, preocupando-se com teorias, enquanto as obviedades das escolhas práticas nunca são tomadas.
Assim, aqui estão meus mapas V.S.T., as áreas em vermelho, eu aprovo:

quinta-feira, 25 de março de 2010

Pensamento Retrógrado

Nos últimos meses, tenho assistido algumas palestras de eminentes juristas e sérios operadores do direito, e estive observando que muitas pessoas ainda não perceberam que as regras do jogo político mudaram.
O que tem sido mais criticado é a atuação do Judiciário como legislador, através de súmulas, principalmente as, segundo os estudiosos, temíveis súmulas vinculantes que obrigam os juízes de instâncias inferiores a agirem de acordo com as decisões do Supremo Tribunal Federal.
Para entendermos a importância dessa nova concepção da justiça brasileira, devemos considerar que após a Constituição de 1988, foi dado ao executivo um poder nunca dantes visto na história deste país. O Presidente da República pode propor emendas à constituição e emitir medidas provisórias. Além disso, tem o poder de lançar o orçamento da União e vetar a concessão de cargos.
Isso faz com que tenhamos um legislativo disciplinado: se o deputado não votar conforme a vontade do executivo, não recebe nem dinheirinho para financiar sua base eleitoral, nem empreguinho para seus amiguinhos, isso é, provavelmente não se reelegerá.
O tom jocoso do parágrafo acima é contra a situação humana, não uma crítica ao nosso sistema político. Bem ao contrário, esse cabresto se trata de um fator positivo. É assim que funciona nos países desenvolvidos, de outra forma, o legislativo viraria um caldeirão de complôs, como ocorria antes de 1964: o único presidente que tinha conseguido terminar o seu mandato, tinha sido JK, e mesmo assim, com 4 tentativas de golpe. O voto disciplinado no legislativo é um fator de progresso da política brasileira pós 1988.
Se houvessem apenas dois poderes, portanto, teríamos uma oclocracia: as plebes elegeriam um demagogo qualquer, que teria o congresso nacional em suas garras, podendo fazer o que bem entendesse.
Aqui é que entra o judiciário.
Quando se fala que as súmulas vinculantes não são função daqueles que estão ali apenas para julgar, pois na prática estão criando lei e não apenas interpretando, podemos perceber claramente um discurso daqueles que acreditam que as leis devem ser feitas apenas pelo povo, ou melhor, por aqueles que supostamente representam a vontade da turba facilmente manuseável.
Ora, a lei dos costumes é muito mais representativa da vontade popular do que a lei escrita, normalmente manuseada pelos poderosos. Os países anglo-saxões funcionam dessa maneira e possuem sociedades inegavelmente prósperas, por que tanto medo de copiar o que tem funcionado em outros países?
Essa nítida ojeriza ao STF que vem se manifestando nas universidades públicas e em amplos setores da imprensa que dependem de publicidade estatal, representa apenas, simplesmente isso, uma tentativa de criar mais e mais generais de republiquetas, que muito estiveram presentes nas histórias das nações sulamericanas. Os caudilhos de plantão detestam a idéia de que a sua pujança política possa ser contida por algo tão banal como um simples pedaço de papel no qual está escrita a palavra “Constituição”.
Ao mesmo tempo, juízes do Supremo representam um poder de pessoas, pelo menos teoricamente, lidas e cultas, que não se deixam enganar tão facilmente quanto às massas semi-analfabetas. E, o inferno total na visão desses hitleres liliputianos, sendo cargos de nomeação, tem-se grande chance de ali estar, na figura do juiz, um inimigo político, elevado ao cargo por um antecessor cruel.
Assim, é claro, aos olhos dos nossos esquerdinhas de plantão, loucos de vontade por uma chance de implantar o regime das massas facilmente manipuláveis, o STF é um monstro que precisa ser combatido. Afinal, para eles, quem é que esses senhores juízes pensam que são, para se proclamarem o guardiões da Constituição?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Feliz Ano Novo!

Depois das festas de ano novo cristão, judaico e chinês, desejo a todos os leitores um feliz Ano Novo Brasileiro: na primeira segunda-feira depois do carnaval, é que o ano realmente começa por aqui com toda a sua brasilidade.



P.S.: A ralé voltou das farofadas nas praias... O trânsito está um inferno...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A Cura da Morte

No meu outro blog, A Cura da Morte, citei a reportagem da revista Superinteressante deste mês, que fala sobre a possibilidade de o ser humano conquistar a imortalidade.
Vale a pena comprar a revista, é um assunto bem pertinente que ainda é falado como assunto de ficção, mas aos poucos vai ganhando a atenção dos cientistas.
Por enquanto, a reportagem cita algumas linhas de pesquisa:
1. injeções de telemerase (fragmentos das pontas dos nossos cromossomos), que poderão tornar nossas células mais resistentes;
2. injeções de células-tronco;
3. pílulas que simulam a falta de alimentos (comer menos aumenta o tempo de vida...);
4. ingerir água pesada para impedir a oxidação provocada pelos radicais livres.
Enquanto essas novidades não chegam até nós, nos resta comer saladas e não fumar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Coisas que Poucos Conhecem

Inclusive eu, por isso fui pesquisar na Internet.

Onde fica o Bojador?
O poema de Fernando Pessoa fala do Bojador.

“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena?
Tudo vale a pena se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”

No entanto onde fica isso? O Cabo Bojador fica na costa da África, no Saara Ocidental, basta procurar no Google Mapas. É uma curva daquele continente.

Passar por ele significava arriscar ser comido pelos dragões do mar que, para os marinheiros de então, viviam além desse ponto. Para passar o Bojador, portanto, era preciso vencer o medo do desconhecido.

E Taprobana, onde fica?
Camões falava que os lusíadas foram além, muito além de Taprobana.
Este é o nome antigo do Ceilão, que é o nome antigo do Sri-Lanka. Aquele ponto foi, depois do Bojador, considerado o local limítrofe, além do qual, viviam os dragões do mar (de novo os dragões???). Passar além dali significava arriscar cair pela borda da terra plana e ser devorado pelos monstros.

Onde se conseguem mudas de flor-de-lis?

A flor de lis era uma figura de heráldica (uma espécie de clip-art antigo) da monarquia francesa.
Não se sabe exatamente se a palavra tem a ver com um galicismo de lírio, ou uma corruptela de Luís. Ainda que exista uma flor que dá de bulbos, chamada flor-de-lis, não se tem a relação entre esta e o símbolo.

Quem foi Zebedeu?
Todo mundo sabe que o pai do filho do Zebedeu é o próprio Zebedeu, mas quem foi ele?
Conforme a Wikipédia:
“Zebedeu é um personagem bíblico do Novo Testamento, citado nos Evangelhos como sendo o pai de João e de Tiago (Mt 10:2).
Pelo que se depreende da leitura bíblica, Zebedeu seria um judeu próspero que tinha barcos de pesca e empregados a seu dispor.”

O que são mafagafos?
Mafagafo, do quebra-línguas: “Em um ninho de mafagafos haviam sete mafagafinhos;quem afagar mais mafagafinhos, bom afagador será.” é uma ave da família do tuiuiú que vive no território brasileiro.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Imperialistas de Pouca Prática


Conta-se que o grande e o mau vendedores de sapatos chegaram em uma aldeia em que ninguém usava sapatos. O mau vendedor falou “Vamos embora, aqui ninguém usa sapatos.” O grande vendedor, no entanto, exclamou: “Nossa, que grande oportunidade! Aqui ninguém usa sapatos!”
A Europa e os Estados Unidos já perceberam que grande oportunidade será a reconstrução do Haiti. Quantas obras de engenharia, quanto de comida, bens de consumo, transportes, enfim, quanto de tudo será necessário para construir um país a partir do zero?
Será que vamos aproveitar para enviarmos as nossas construtoras, vendermos as nossas panelas e os nossos ônibus de Caxias do Sul, as nossas toalhas de Blumenau, nossas TVs de Manaus, nossos carros flex, nosso etanol e os nossos sapatos de Franca? Nós, que demos a sorte de sermos o número um por lá, por que não aproveitar? Afinal, para quem conhece alguns haitianos sabe que basta apontar para si mesmo e falar “brésilien! Ronaldô!” para receber em troca um largo sorriso, pois somos um povo querido naquele país. As nossas tropas estão ajudando nesse momento difícil, no maior número dentre os estrangeiros, muito mais do que salvar vidas e colocar ordem, estamos ensinando a língua portuguesa e os costumes brasileiros, batendo bola com a meninada, enviando novelas de TV, enfim, fazendo o mesmo que os soldados americanos faziam quando distribuíam chicletes para as crianças alemãs logo após a 2ª guerra.
A primeira coisa que os Estados Unidos fizeram foi organizar o tráfego aéreo. Perdemos essa, pois já está na cara quem é o candidato óbvio para reconstruir o aeroporto, mas em muitas outras obras e serviços, estaremos na frente com larga vantagem.
Agora basta saber se o que queremos com as nossas tropas naquele país são dois assentos, um no Conselho de Segurança da ONU e outro no céu pela boa ação, ou se vamos aproveitar a oportunidade que se abriu diante de nós para ganhar mais um estado-irmão do nosso território. Sim, pois o Haiti tem tudo para se tornar para nós o que Porto Rico é para os Estados Unidos. Muito mais do que a questão humanitária, é de nosso total interesse prover o país de infra-estrutura, pois se não o fizermos, certamente uma ilha que aponte para o lado sul de Cuba será extremamente estratégica para o Grande Irmão do Norte. E providenciar infra-estrutura, é o que os americanos sabem fazer de melhor, temos um concorrente forte.
Os nossos esquerdinhas de plantão ficam arrepiados só de ouvir falar da palavra imperialismo, mas o que eles querem? Com essa bola que recebemos, quicando na frente do gol, será que vamos deixar de chutar?
Charge: neccint.wordpress.com